Nosso Circuito O – Torres del Paine

Torres del Paine – Circuito O – Macizo Paine

Um dos principais destinos na Patagônia, o Parque Nacional de Torres del Paine é um dos pontos de trekking mais famosos do mundo. Visitados por milhares de turistas na alta temporada, na baixa temporada é um destino perfeito para quem quer enfrentar o principal circuito  ( W ) sem os preços tão altos e as aglomerações de pessoas dos meses mais agitados do ano. Fomos no final de março, exatamente na ultima semana da temporada do circuito O.


 

Nosso Circuito

Dia 1 – Entrada Laguna Amarga até Acampamento Serón

13 km – 4:30 hrs de caminhada

 

Chegamos ao parque pela portaria em Laguna Amarga e de lá pegamos um ônibus até a “verdadeira” entrada do parque, centro de visitantes e primeiros hotéis e áreas de camping. Registro feito, reservas apresentadas e devidamente validadas, nosso primeiro dia de caminhada começou.

O inicio da trilha seguiu paralelo a uma estrada de terra por algumas horas, alternamos entre andar pela estrada e pela trilha que subia e descia pela lateral da estrada, logo a trilha passou a margear tambem o Rio Paine, a área de camping fica a algumas centenas de metros do rio.

Ainda estávamos nos adaptando às mochilas pesadas e neste dia a caminhada pareceu demorar muito mais do que deveria. O guia do parque previa uma caminhada de 4 horas e acabamos fazendo o trajeto em 4:30 horas.

O acampamento Serón foi o primeiro do nosso circuito devido a decisão de começarmos em Laguna Amarga, apesar da estrada de terra chegar até a área de Camping, não existe uma estrutura muito grande neste camping. A área de cozinhar é uma tenda para proteção do vento, a “loja” junto ao escritório da administração do camping estava bem vazia, a área de abrigos e as plataformas para barracas estavam indisponíveis, sem maiores explicações, todos armaram as barracas em um gramado desprotegido ao lado da área da administração. Banheiros e banho quente simples, salvaram a vida no fim de um primeiro dia cansativo. No geral, foi o camping que menos gostamos, também tivemos uma experiência ruim com um grupo de turistas que chegou no inicio da noite e  começaram a fazer bagunça junto aos staffs deste camping.

Após a refeição liofilizada, saímos dar uma volta e caminhar até o rio para tirar algumas fotos. Na volta encontramos pela primeiro vez um amigo Italiano, que encontraríamos outras vezes no decorrer da viagem, ele nos avisou da previsão do tempo para os próximos dias e para a previsão de temporal e vendaval durante esta primeira noite.

A previsão acertou, fomos dormir com o céu estrelado mas durante a noite o temporal chegou, o vento foi tão forte que quebrou uma das astes da barraca, sorte que conseguimos fazer alguns reparos suficientes para arrumar.

O dia amanhece tarde em março, perto das 8:00 hrs. Tomamos nosso café da manhã: fajita, cream cheese e salame. Arrumamos nossa mochila e desarmamos a barraca na chuva, e saímos.

 

 

 

 


 

Dia 2 – Acampamento Serón até Acampamento Dickson

18 km – 6:30 hrs de caminhada

Para nós, o dia mais difícil de todos, não pela dificuldade das subidas pois são poucas, mas pela mochila estar pesada, pela chuva que pegamos por boa parte do tempo, e por ser um trajeto longo.

Há algumas trilhas alternativas logo depois da saída do acampamento Serón, que acabam confundindo, mas elas acabam se encontrando em alguns pontos.

A parte mais difícil desse dia foi até a guarderia Coirón, onde é obrigatório assinar um termo e mostrar as reservas do acampamento Dickson. O ganho de elevação deste trajeto não é grande, mas passa-se pela encosta das montanhas, subindo e descendo várias vezes.

Há várias cachoeiras e depois da guarderia Coirón a mata se abre, possibilitando avistar montanhas, o Glaciar Olvidado e a parte de trás das Torres. As paisagens são bonitas, mas até então não achamos nada de surpreendente.

Quando fomos, algumas áreas estavam sendo reformadas, e estavam fazendo passarelas para preservar as pampas.

O acampamento Dickson é bem estruturado, contando com duchas de água quente, o espaço para cozinhar é muito bom e organizado com mesas e bancos. Neste dia jantamos Yakissoba liofilizado e pagamos 15 reais em  uma coca-cola – Isso mesmo, 15 reais!

Nós não conseguimos vaga no camping e ficamos no lodge, o quarto era pequeno e com 3 beliches, para nossa sorte só precisamos dividi-lo com o italiano que citamos no primeiro dia.

Durante a noite também ventou muito.

 

 


 

Dia 3 – Acampamento Dickson até Acampamento Los Perros

11,8 km –  4:30 hrs caminhando

Compramos o café da manhã, pagamos 11 dólares por pessoa, mas estava gostoso e bem servido com ovos, iogurte, suco, café com leite… ajudou a recuperar a energia.

O primeiro trecho é aclive e o mais dífícil, boa parte da trilha é feita dentro de um bosque, passando várias pontes, e alguns miradores.

Neste dia Torres del Paine começou a surpreender mais. Próximo ao acampamento Los Perros, tem o mirador para o Glaciar los Perros, e andando mais um pouco, chega-se ao lago de degelo do Glaciar, com vários blocos de gelo que chegam até a encosta do lago.

Mais 15 minutos chega-se ao acampamento Los Perros, o local para acampar é plano e protegido pelas árvores, nossa barraca não chacoalhou, mas ouvimos o forte barulho do vento balançando as árvores.

O armazém fica junto a administração, mas com poucas opções de comida e bebida. A estrutura para cozinha também é muito boa, parecida com a do Dickson, mas na época que fomos só haviam duchas com água gelada, confessamos que não tivemos coragem de encarar o banho, já estávamos com frio  e o lenço umedecido fez um bom trabalho.

Nossa janta foi purê de batata e carne moída com azeitona liofilizados.

 


 

Dia 4 – Acampamento Los Perros até Acampamento Paso.

8 km  – 5:40 hrs caminhando

O dia preferido da Débora!

Esse é o dia do famoso paso John Gardner, que é o colo entre duas montanhas, um aclive de 800 metros. Para quem é do Paraná, achamos o esforço parecido com o morro Araçatuba.

O começo do trajeto é dentro de um bosque, e é indispensável o uso de botas impermeáveis. Neste dia, vários trechos com barro, poças de água e pequenos riachos, passamos por cima das raizes das árvores para não atolar os pés.

A paisagem muda bastante depois do bosque, a mata abre completamente, glaciares para os dois lados, e um grande rio formado pela água de degelo. A trilha deixa de ter barro para ter grandes pedras formando bancos perfeitos para descansar um pouco.

Quando chega no Paso, é impossível não ficar um tempo contemplando o Glaciar Grey por alguns minutos.

 – Depois de algumas horas de subida, poder sentar e almoçar nossas fajitas com salame, e apreciar o Glaciar do alto, que às vezes parecia sorvete de creme e ainda poder assistir o vôo do gigante Condor. – Parece clichê, mas não tem outra frase no momento: As fotos não fazem jus a beleza do lugar.

Fizemos as reservas dos campings antecipadamente e conseguimos vaga no camping Paso, que é gratuito e administrado pela Conaf. Com vista para o Glaciar, o local para acampar é plano e protegido, mas um pouco desorganizado. Não encontramos nenhum guarda parque por lá, mas tinham placas com informações. Infelizmente o local para cozinhar estava sujo, com resto de comida e alguns plásticos. Não tem duchas, e o banheiro é um buraco no chão, mas tem descarga.

A 2 minutos do camping tem um mirador com vista para o Grey, vale a pena conferir!

 


 

Dia 5 – Acampamento Paso até Acampamento Grey

7 km  – 4:30 hrs caminhando

O dia preferido do Luiz.

Começamos a encontrar algumas pessoas do circuito W, eles deixam suas mochilas no camping Grey e fazem o ataque até o Glaciar Grey.

A trajeto é bonito, passa pela encosta das montanhas com cachoeiras caindo do topo,  e tem visual para o glaciar Grey quase o tempo todo. Quando chega na primeira ponte Pensil é impossível não sentir um pouco de euforia, pena que  pegamos cerração em uma delas.

Achamos um dia tranquilo, com bastante declive e muita lama, tivemos que tomar muito cuidado para evitar escorregões e consquentemente machucados.

Como o camping Grey também faz parte do circuito W, percebemos que a estrutura é ainda melhor que os outros que passamos até então. A área para cozinhar é bem estruturada, também há um restaurante muito charmoso e uma mercearia grande, onde tem uma lan house. As duchas são quentes, apenas 2 por sexo, e tem horário de funcionamento.

Neste dia resolvemos jantar uma pizza, tamanho médio/pequeno, nada especial para o valor de 80,00 reais. Para a sobremesa compramos chocolate pelo valor de 16,00 reais.

No camping grey triplicou o número de turistas, mas conseguimos encontrar a galera do nosso grupo e ficamos conversando bastante. Também encontramos pela primeira vez um grupo de “badernistas” que nos acompanharam até quase o fim do circuito.

 

 


 

Dia 6 – Acampamento Grey até Acampamento Paine Grande

11 km – 3 hrs

Nossa reserva era para o camping Italiano, mas ele foi fechado por conta de uma fossa que tinha estourado dias antes de entrarmos no parque,  tivemos que reorganizar nossa agenda e acampar no Paine Grande.

Esse foi um dos dias mais fáceis, pouca subida depois do camping Grey, passa por vales e mata mais aberta. Nossa primeira experiência com o vento patagônico direto no corpo, em alguns momentos tivemos que parar e esperar as rajadas passarem.

Durante a trilha encontramos muitas pessoas e a vontade de voltar para o cirtuito O aumentou. 2 grupos estavam com caixinha de som, bastante gente falando alto e gritando durante a trilha, existem pessoas mau educadas no mundo inteiro.

O lodge Paine Grande fica próximo a margem do lago Pehoé, o local de acampamento conta com estruturas que protegem as barracas do vento, o local para cozinhar é grande e bem estruturado, o local das duchas e dos banheiro são organizados, melhor que o camping Grey. Tem bastante opção na mercearia, onde compramos um pão caseiro e mais chocolate. Tem uma família de raposas que mora por ali, fique esperto e não deixe sua barraca aberta.

Encontramos nosso grupo na cozinha, jantamos, conversamos sobre a algazarra de alguns, e o sentimento de todos do nosso grupo era o mesmo: voltar para o circuito O.


 

Dia 7 – Acampamento Paine Grande até Acampamento Francés – passando pelo mirador Britânico

14,5 km – 5:40 horas

Choveu durante a noite mas quando abrimos a barraca tivemos uma boa surpresa: havia nevado. Fomos dormir com uma paisagem e acordamos com outra, a neve tem o poder de transformar os lugares.

O trajeto até o Camping Italiano é muito bonito… Deixamos o Glaciar Grey para trás, a paisagem muda um pouco – cachoeiras saindo das geleiras no alto da montanha, grandes lagos, paisagem invernal com árvores sem folhas. Pegamos tempo fechado até o Italiano. A trilha passa por algumas passarelas, então segue beirando alguns rios e atravessando alguns riachos.

Deixamos nossas mochilas no camping Italiano e subimos até o mirador Britânico. É uma caminhada mais difícil, subida dentro de riachos e cachoeiras, tivemos que nos equilibrar em algumas pedras para atravessar.

Confessamos que não fomos até o Mirador Francês por preguiça, encontramos um casal de “amigos” e eles falaram que a vista do Mirador Britânico é praticamente a mesma, então ficamos por ali. O mirador tem vista para um vale onde pode-se ver a lateral das famosas Torres, para um lago, e para um glaciar com cachoeiras no topo de uma montanha, definitivamente muito bonito.

Do Camping Italiano até o Camping Francês é um trajeto fácil, e muito molhado, boa parte do trajeto é feito dentro de um pequeno riacho formado pelas chuvas.

O camping Francês tem uma estrutura excelente, os melhores chuveiros do parque. Estrutura nova e contemporânea, nem parecia que era dentro de uma reserva. Tem plataformas demarcadas para montar a barraca, e, ao menos na época que fomos, pudemos cozinhar na plataforma. Tem uma mini-mercearia e andando um pouco mais um restaurante dentro de um domo.


 

Dia 8 – Acampamento Francés até Acampamento Chileno

19,6 km  – 7 horas

Foi um dia longo, o começo da trilha é com bastante subida até o camping Los Cuernos, depois bastante declive até uma prainha, para a nossa sorte as mochilas já estavam mais vazias.

O trajeto também é muito bonito, passando pela encosta das montanhas, 2/3 do caminho foi dentro de um riacho, e havia chovido bastante nos últimos dias. Depois do encruzo do camping Chileno e camping las Torres, ficou um pouco mais plano, e neste dia sentimos de verdade o vento Patagônico, a força do vento levantava a água dos rios, muito divertido de se ver.

O último trajeto até o camping Chileno também é cansativo, com bastante subida. O camping tem boa estrutura, com plataformas para montar a barraca. Os banheiros são pequenos, com três duchas quentes. Não pode cozinhar neste camping, eles fornecem água quente, mas é proibido utilizar o seu fogareiro. Acabamos pedindo dois sanduiches, estavam gostosos e consideravalmente grandes, pagamos algo em torno de 40,00 cada um.

Só foi chato por que pediram para desocuparmos as mesas para servir o jantar para quem tinha reserva. Você tinha algumas opções: Ficar em pé do lado das mesas, ir para uma sala minuscula que não tinha ventilação nem lugar para sentar, voltar para a sua barraca, ou ficar lá fora com o vento patagônico…

Mas ao menos o restaurante tinha vista para as torres…

Ouvimos alguns comentando sobre a velocidade do vento, a previsão para o próximo dia era de chuva e rajadas de vento de 150 km/h, começamos a rever nossos planos de fazer o ataque até as Torres. Durante a noite realmente ventou muito, as árvores fizeram muito barulho.


 

Dia 9 – Acampamento Chileno até o centro de visitantes.

5 km – 1:40 hrs

Acordamos as 6:00 hrs da manhã, fomos ao banheiro e encontramos um casal de Alemães que viraram nossos amigos durante a viagem. Eles haviam dormido no camping Central, acordaram as 4:00 para começar a subir e também pretendiam fazer o ataque até as torres. Eles falaram que haviam pego muito vento até ali, a previsão das rajadas de 150 km/h era verdadeira, conversamos bastante e todos resolveram abortar o ataque até as torres. Arrumamos nossas coisas e fizemos nossa última caminhada dentro do Parque, que foi até a central de visitantes.

Não nos arrependemos de ter desistido, pegamos MUITO vento, a Débora caiu duas vezes por conta das rajadas que também levantavam pequenas pedrinhas e chegavam a machucar a pele, o vento patagônico é REAL! 20 minutos após chegarmos a central de visitantes começou a chover forte e trovejar, ainda bem que estávamos protegidos.

Encontramos boa parte das pessoas que começaram o circuito com a gente, ficamos em uma mesa conversando até a hora de chegar o transporte. Foi muito legal a troca de experiência com esse pessoal: um casal de inglêses, uma estado unidense que está viajando sozinha pela américa do sul, um casal de alemães jovenzinhos, e nós.

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